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Estudo pioneiro no Piauí avalia redução do fechamento de feridas em pacientes

Uma pesquisa conduzida pela professora do curso de Enfermagem, no Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), Sandra Marina, pode simplificar a vida de pacientes submetidos à estomias (colostomia, ileostomia, urostomias). O trabalho, que é voltado para o planejamento e contribuição de políticas públicas que priorizem a indicação de fechamento de reconstrução intestinal (estomas temporários), foi premiado no Congresso Brasileiro de Estomaterapia e apresentado na Malásia.
Pela primeira vez, foi realizado um levantamento de pessoas com estomas temporários e definitivos no Piauí, por meio do centro de referência Lineu Araújo. Um estoma é a exteriorização de uma parte de um órgão para a pele, através de uma abertura na barriga. A estomaterapia é uma especialidade da Enfermagem que estuda feridas, incontinências e estomias.
“A pesquisa tem como objetivos o planejamento e contribuição para políticas públicas que priorizem a reconstrução de trânsito intestinal de pacientes que tenham indicação para este procedimento. São pacientes com estomas temporários, acometidos, principalmente, por traumas ou doenças inflamatórias que necessitam desta cirurgia. A programação de fechamento deverá ocorrer em seis (06) semanas, o que possibilitaria a redução dos custos para o serviço público e como consequência poderá favorecer melhor qualidade de vida aos pacientes antes estomizados”, analisa Sandra.
Dados da pesquisa

A pesquisa foi realizada em parceria com o Hospital Lineu Araújo, com pessoas de ambos os sexos e idade média de 56 anos. Foi feita entre agosto de 2016 e junho de 2017, com 715 pacientes estomizados. Os dados inferiram que o sexo masculino tem maior incidência de casos relacionados 70,9% , e cerca de 80% da maioria dos estomas são causados por câncer de colo retal.
Uma das primeiras constatações do trabalho destaca a origem dos pacientes, evidenciando que 39,8% dos pacientes são procedentes de Teresina, 44,3% do interior do Piauí e 5,9% de outros estados. Segundo a pesquisadora, o que chama atenção é o número de pacientes que usam bolsas coletoras e equipamentos de estomias.
“A quantidade de pessoas com estomias provisórias chega a 59%, um número ainda muito elevado. A maioria ainda não tem planejamento e está esperando há muito tempo, sendo um risco desses estomas provisórios tornarem-se permanentes”, alerta Sandra. “O benefício é que essas pessoas poderão ter programação de reconstrução do trânsito”, completa.
Um dos resultados iniciais obtidos através da pesquisa prevê a recuperação dos atendidos, sobretudo, a redução e qualificação da fila de espera para realização de cirurgias. “Estamos mantendo contato com os pacientes informando quem têm indicação cirúrgica, respeitando, obviamente, a opinião de cada um deles, e sendo feitas mobilizações junto ao serviço público, estimulando o fortalecimento do grupo de pessoas com estomias no Piauí”, relata a pesquisadora. "A Uespi trabalha nessa função de fazer pesquisas e contribuir para a sociedade, melhorando nossos profissionais e sensibilizando-os com essas causas”, acrescenta.
Trabalho premiado

A pesquisa foi divulgada em congressos nacionais e internacionais, sendo premiada no Congresso Brasileiro de Estomaterapia que ocorreu em novembro de 2017, na cidade de Belo Horizonte, e foi apresentado na modalidade oral no 22° Congresso Internacional de Estomaterapia- WCET, realizado de 15 a 18 de abril deste ano, em Kuala Lumpur, capital da Malásia.
A apresentação oral foi fruto de trabalho de conclusão de curso e Iniciação Científica da pesquisadora com estudantes do curso de enfermagem da Uespi. A Uespi vem participando das últimas edições do WCET na Austrália, Suécia e África do Sul apresentando trabalhos oriundos de pesquisas realizadas em Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) e trabalhos do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC).
cidadeverde.com 

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